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A Paris de Haussmann, o artista da demolição

A Paris de Haussmann, o artista da demolição
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A Paris de Haussmann, o artista da demolição

 Consideram-no um dos maiores prefeitos de todos os tempos. Georges-Eugène, barão de Hausmann, um homem que veio de Var, do sul da França, nomeado Prefeito do Departamento do Sena por Napoleão III em 1853. Foi o maior modernizador urbano que se conheceu até agora no Ocidente, imprimindo seu nome para sempre em uma das mais belas cidades do mundo. Barão de Hausmann (1809-1891)

 Var   

   
Rio Sena

 A determinação pela reforma

Diziam que Charles-Louis Napoleon Bonaparte, sobrinho do Imperador, desembarcara em Paris em 1848, cidade da qual pouco sabia. Trouxe com ele um mapa de futuras reformas urbanas que nela pretendia fazer.

 Charles-Eugène Napoleão Bonaparte

 Seu antepassado, ilustre Napoleão I, tivera ambiciosos planos para mudá-la, porém, as sucessivas guerras e as dispendiosas campanhas militares que o levaram à conquista de boa parte da Europa, absorveram parte substancial dos recursos que ele imaginava investir.

Imperador Bonaparte

O desejo dele era fazer da Metrópole dos franceses, uma nova Roma, tão majestosa como fora outrora a sede dos Césares. Exemplo disto, foi Bonaparte ter mandado iniciar a construção do Arco do Triunfo, depois da Vitória de Austerlitz, em 1805, que até hoje é um dos símbolos mais famosos da Capital.

  Arco do Triunfo

Um fator importante para a reforma da cidade foi a erupção de uma segunda epidemia de cólera, na de 1832 morreram 20 mil moradores. A segunda varreu a cidade na esteira das desordens provocadas pela Revolução de 1848 e que redundou em 19 mil vítimas.

O plano Hausmann se iniciou em reação às más condições de moradia em Paris no século XIX.

 Paris antes da reforma

A topografia de Paris da época, especialmente o miolo da cidade, casas amontadas, ruas estreitas e vielas lúgubres, sistema de esgoto a céu aberto, higiene clamorosamente falha, ar puro inexistente e luz do sol insuficiente, faziam com que o centro superpovoado da Velha Paris fosse uma ameaça permanente à integridade de seus habitantes. E também o  acumulado de lixo malcheiroso, de onde invariavelmente se expandiam as pragas ao tempo que servia de abrigo ao tifo e ao tétano.

Os horrores causados pela insalubridade e pela má vida que se levava então, particularmente entre as classes proletárias, já haviam sido tema da literatura, tanto de Victor Hugo no romance “Os Miseráveis’, como de Eugene Sue,  em “Os mistérios de Paris”,  que sistematicamente denunciaram a sordidez da existência dos moradores pobres da Capital.

“Os Miseráveis “        Victor Hugo

Pouco, bem pouco, havia mudado da Paris medieval até a metade do século XIX. A partir deste século, o Iluminismo (também conhecido como século das Luzes e Ilustração), provocara uma significativa alteração nas mentalidades e conhecimentos, mas o que ainda imperava no traçado urbano da Capital era o arcaico labirinto herdado dos tempos góticos.

Napoleão III, quando esteve em Londres, se encantou com os avanços que a Capital Britânica fizera no sentido de limitar os efeitos que as epidemias causavam.

Investimentos públicos significativos haviam sido feitos, pela municipalidade, em obras preventivas nos arredores das margens do Rio Tâmisa, a fim de suprimir com os miasmas e águas putrefatas, as quais eram as fomentadoras dos insetos infecciosos que, de tanto em tanto, assolavam a grande urbe dos britânicos.

Paris devia seguir lhe o exemplo. Foi assim que o Barão de Hausmann recebeu carta branca do Imperador para travar sua guerra contra o passado e implantar a metrópole iluminista às margens do Rio Sena.

O artista da destruição

Com brigadas de operários treinados em demolição, com muita pólvora à disposição, engenheiros, arquitetos, paisagistas e coragem para fazer as incontáveis desapropriações, tendo o poder do Imperador às suas costas, o destemido prefeito rasgou o ventre da antiga  Capital em todas as direções. O antigo casario foi posto abaixo e, em seu lugar surgiram os amplos bulevares, todos com novas construções padronizadas apoiadas por serviços de esgoto, gás encanado, abastecimento de água tratada, fornecida por 600 quilômetros de aquedutos.

 Paris sendo reconstruida

No lugar das 120 mil habitações destruídas por Hausmann surgiram outras 320 mil modernas, em 300 quilômetros de novas vias que foram construídas nos 20 anos seguintes, cuja altura padrão não ultrapassa seis andares.

Além disso abriu espaços para os Parques públicos (Bois de Boulogne e de Vincenes) além dos Parques Monceau e Montsouris.

Estações de trem como a Estação de Lyon e a do Norte, foram erguidas entre 1855 e 1865 para que trens vindos do interior desembarcassem as pessoas dentro da cidade.

 Estação de Lyon   
 
Estação do Norte

 Havia em tudo um toque da venerada grandeza romana, somada a uma paixão renascentista pela perspectiva e pela proteção que se materializou no traçado de longas e largas avenidas que partem da Étoile (Estrela), adornadas por amplas calçadas, como é o caso da Avenida Champs Élysées, talvez a mais famosa do mundo.

Por vezes, a cidade parecia ter sido acometida por um terremoto, como se verifica nas várias fotografias tiradas por Charles Marville, contratado pela Comissão Histórica de Paris, em 1860, especialmente para documentar as obras que a imortalizou.

 Toda a Paris, aos poucos foi-se tornando uma obra de Arte, uma autêntica cidade-Luz, sendo que o morango da torta foi a construção da nova Ópera por Charles Garnier, inaugurada em 1875. Ninguém como Hausmann mudou internamente a face da cidade, como durante sua longa administração de (1853 a 1870) servindo como modelo e inspiração para os que mais tarde reformaram tanto Buenos Aires (Torquato de Alvear) como o Rio de Janeiro (Pereira Passos).

Esta infraestrutura urbana foi combinada com novas e ousadas estações de trem – Gare du Nord, (Estação do Norte), Gare du Lest (Estação do Leste) e a opulenta Ópera de Paris, novas escolas , igrejas e mais de 20 praças, ambiciosos Teatros na Praça Châtelet, o gigantesco Mercado de comida “Les Halles” (do livro, “O Ventre de Paris”, de Émile Zola) e uma sensacional rede de Avenidas radiais, sendo o Arco do Triunfo, no centro da Praça de l’Étoile de Hausmann.

ÓPERA de Paris

Rebatizado de Place Charles de Gaulle, l´Étoile é um pesadelo para motoristas estrangeiros: você tenta dirigir entre carros velozes, vindos de várias direções diferentes, enquanto tenta negociar ou lutar para abrir caminho

entorno do Arco, monumento de celebração da Vitória de Napoleão.

 Praça Charles de Gaulle

Nenhuma outra cidade, antes ou desde então, sofreu uma transformação tão radical como Paris em tempos de Paz.

Hausmann devolveu a saúde à cidade após anos de cólera e tifo. Deu a todos parisienses de todas as classes, parques onde brincar e relaxar.

Teoricamente suas largas avenidas permitiam que tropas do governo se movimentassem livremente para manter a ordem em tempo de barricadas e outros distúrbios. E em época em que a cidade dobrou seu tamanho e a população triplicou, ela deu a Paris um senso de unidade com ar de prosperidade burguesa.

Os planos de Hausmann foram impressionantes pelo fato dele ter conseguido resultados com padrão tão alto e uniforme em tão pouco tempo.

O Boulevard Hausmann tem 2,53 quilômetros de comprimento do 8º ao 9º arrondissement, é uma das amplas avenidas arborizadas criadas em Paris por Napoleão III, sob a direção de seu prefeito do Sena, Barão de Hausmann.

As lojas de departamento como a Galeria Lafayette e Au Printemps estão localizadas nesta avenida.

 Galeria Lafayette  
              
Au Printemps

Após sua demissão, Hausmann foi eleito deputado em Ajaccio, na Córsega onde Napoleão Bonaparte nasceu.

 Ajaccio, Córsega

Por tudo que foi escrito, vocês podem constatar a importância deste homem, na transformação de Paris.

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1 comments

Luci disse:
5 de abril de 2024 às 16:48

Que matéria maravilhosa! Dá vontade de estar lá 🩷🩷. Obrigada Maria Helena

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